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Mostrando postagens de 2008

CHIQUINHO

Vovó gostava de criar filhotes de pássaros em casa para domesticá-los. Cuidava dos filhotes ainda sem penas com papa de fubá e de frutas. Lembro ainda dos filhotes de maritacas, de pássaros pretos e canários da terra que ela criava com todo carinho dentro de casa. Mas de um lembro em especial, um pássaro preto que foi batizado de Chiquinho! Foi pego ainda bem novinho, e tratado com muito carinho e cuidado. Cresceu e acostumou com todas as pessoas da família! Ele possuía uma gaiola que ficava pendurada na sala, onde ele dormia e ficava. Mas a gaiola estava sempre com a porta aberta para que ele saísse quando quisesse. Ele gostava de voar para o ombro de alguém e pedir carinho, abaixava a cabeça esperando um cafuné! Ah como ele gostava que coçasse a sua cabeça! Estava sempre feliz a cantar e quando queria algo dava aquele piado que todos sabiam interpretar. Costumava voar até alguma árvore próxima, ir até o pomar e depois retornava para a sua gaiola. Cantava um canto alegre e firme...

Gnomos ou Duendes?

Uma visita inesperada. Lá fora o céu estava azul, o sol brilhando, a metade do quarteirão onde morava ainda era coberta por arbustos e vegetação rasteira que estava a anunciar a primavera. Eu havia acabado de chegar e já estava na mesa para almoçar. Surpreso observei a minha frente diante da mesa dois seres muito alegres, mas um tanto diferente, um pouco disformes em relação aos humanos. Estavam falando entre si e me fitando, eu surpreso fiquei sem ação. Apenas perguntei a mulher que estava lá na pia preparando alguma mistura. - Olha, você está vendo? - O quê? Não vejo nada, ta doido? - Há dois homenzinhos a minha frente. - Imaginação sua, não há ninguém ai. Neste ínterim percebi que eles ficaram pensativos um olhando para o outro e depois como duas crianças alegres começaram a saltitar e a desmanchar em gargalhadas. Em seguida, dirigiram-se à porta e sumiram através do mato ao lado da casa. Mas realmente eles estavam ali embora visse que eles conversavam entre si eu não os p...

O tronco de Ipê

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Foto do casarão, o Ipê não aparece ai, esta é visão que se tinha lá debaixo da árvore, junto a porteira Era lindo, robusto, frondoso e estavam enraizadas bem em frente ao casarão, as margens da estrada que trazia os viajantes, os caminhantes, as comitiva que retornavam conduzindo centenas de cabeças de gado. Em seu tronco estava a base de uma porteira que separava as duas pastagens, a do leste que tinha como cenário de fundo o morro da onça e a do oeste, aos fundos da fazenda, a estrada dos Maias que cortava o morro de vegetação rasteira e coberto de algumas pedras em forma de laje cravadas na terra. O velho ipê parecia mais um guardião que ali permanecia desde os tempos de vovó criança, do vovô Abílio abrigando e alegrando as novas gerações com sua imponência, sua beleza. Toda primavera tingia-se de amarelo, exibindo suas abundantes flores amarelas. O solo ficava todo tingido de amarelo mais parecendo um tapete com as flores que caiam diariamente e mesmo assim os seus galhos c...

Lembranças de vovó.

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Nos anos cinqüenta, lá na roça, não havia energia elétrica, apenas lamparina com querosene ou azeite para iluminar a noite quando necessário. Algumas fazendas, poucas na região, possuíam um gerador movido por uma roda d água, como o da fazenda de meus avós materno. A usina ficava nos fundos da fazenda, cerca de uns seiscentos metros abaixo, era alimentado por água do córrego represado que fora desviado para que passasse no terreiro, do lado da cozinha. Quando mudamos para lá este córrego possuía suas margens irregulares e havia um pequeno volume de água represado e muita água escapando pela sua margem esquerda antes de chegar à barragem. Lembro-me de vovó chamar meu pai logo depois de nos acomodar e falar: - Walter eu queria que você acertasse as margens do córrego e a barragem aqui perto do terreiro e arrumasse as caixas de comporta para (¹) moinho, para a (²) usina elétrica e a do (³) carneiro. Vou pedir para os camaradas carregar pedras para você refazer a barragem e c...

Aconteceu comigo.

Final de tarde, véspera de carnaval e a notícia que estaríamos trabalhando nomalmente nos três dias da grande festa brasileira.! Mas como era sexta feira, tínhamos é que aproveitar máximo o final de semana enquanto a proxima não chegasse! Saímos todos em direção ao estacionamento para nos dirigirmos aos nossos lares. Como de costume às sextas feiras eu passo pela casa de meu filho Gabriel para levá-lo para Poá onde passa sempre o final de semana comigo. O trânsito apresentava se moroso e congestionado, muita gente correndo para casa e pegar as rodovias rumo às praias ou outro destino qualquer, visto que a maioria das empresas não abrem no Carnaval. Pouco antes de chegar em São Mateus, onde pegaria o Gabriel percebi que a luz vermelha acusava um super aquecimento do sistema de refrigeração do carro. Isso era grave, havia que se parar para resfriar o motor e verificar as condições. _ Mas como e onde parar? - a avenida estava com enorme fluxo de carros e caminhões e não havia sequer um ...