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Mostrando postagens de 2006

Uma aventura no Quartel

Era ano de 1969, havia me inscrito no Serviço Militar no 17º Regimento de Cavalaria que ficava na cidade onde estava, em Pirassununga, interior de São Paulo. Um dos motivos que me atraiu foi a Cavalaria, sempre gostei de cavalos e por isso achei que ia me dar bem. Realmente, desde os primeiros dias isto foi comprovado. Mas as atividades eram muito diversificadas e os cavalos ocupavam apenas uma parte de nossas tarefas. Recebi o meu cavalo, não era aquele cavalo, mas logo me entendi com ele e por um ano fomos bons amigos. Conheci seus pontos fracos e ele, acredito, os meus também. Os exercícios eram coisas fáceis para mim já acostumado com montaria desde criança. Apenas a equitação foi novidade. Saltar obstáculos, trincheiras, etc. Mas logo eu e meu cavalo entramos no ritmo e não houve problemas! Passado alguns meses foi anunciado que o Quartel todo participaria de uma Manobra Militar em conjunto com a Aeronáutica na Fazenda dos Ingleses! Sabia que seria um exercício de guerra! Apesar d...

Aconteceu no Natal

Os Shoppings Center estavam lotados de pessoas em busca de presentes, as luzes encantavam a todos com seus arranjos festivos de Natal. As ruas com um movimento intenso de vai e vem de pessoas e carros apressados. Era já véspera da tão sonhada Noite de Natal. Eu absorto em meus pensamentos dirigia meu carro rumo à casa de minha irmã onde encontraria a família já reunida. O trânsito estava apressado, todos a caminho de suas casas ou indo para encontrar os amigos, os parentes para com eles festejarem. De repente, num cruzamento entre duas avenidas movimentadas o sinal fecha e eu parei meu carro a espera do sinal verde. - Moço! Moço! Surpreendi-me com aquela voz de criança do lado de fora. Deparei-me com uma menininha, cerca de 8 anos, mal trapilha com uma caixa na mão. - Moço, compra uma bala. Compra moço! Eu fora pego de surpresa, um pouco assustado ao meio daquele corre-corre e respondi de imediato: - Meu amor, eu não tenho dinheiro trocado! - Ah moço compra! Olhei dos lados, apenas aqu...

Os anos cinqüenta...

Os anos cinqüenta foram anos de muitas criações inovadoras ! Foi no ano de 1950 : - Que apareceu a primeira televisão no Brasil deixando as pessoas maravilhadas diante de uma telinha - vendo cenas serem apresentadas ao vivo, de improviso! - Foi um ano Santo declarado pelo Vaticano. - Os primeiros cartões de crédito chegaram ao Brasil, não como os de hoje, mas de papel! - Nos lares brasileiros surgem muitos inventos que vieram ajudar as mulheres nos seus afazeres. - A máquina de lavar automática; - a enceradeira; - a batedeira elétrica; - o rádio portátil a pilha, o maior sucesso em todo o país. Mesmo nos mais longíguos recantos podia se ver alguém com um radinho no ouvido! - O Disco de Vinil, o LP Stéreo; - o bambolê, alegrias das meninas; - o robô mecânico sonho de todo menino e quantas outras invenções mais nasceram nestes anos cinqüenta! Ah e o mais importante não poderia deixar de falar - um nascimento (risos) importante: o ano que cheguei aqui neste Planeta aos 24 de Fevereiro!

MEU CÃO INESQUECÍVEL

S ou um apaixonado por cães grandes, já tive vários pastores alemães e um belga e muitas estórias para contar. Mas na infância o meu primeiro cão ( aliás era o cão dos meus avós ) chamava-se Norte. Era um cachorro grande para um menino de dois ou três anos de idade. Eu podia até andar em cima dele, coitadinho, agüentava sem reclamar! Era muito dócil vivia perambulando pelo casarão, pela cozinha, sala, varanda e ajudava meu avô na lida com o gado. Cachorro muito esperto, ia em busca da vaca mais arredia e trazia ao cural. Uma coisa que me lembro muito bem era o seu sumiço diário, a certa hora do dia ele desaparecia. Depois de algum tempo descobri o que ele fazia todos os dias! Ele ia até a fazenda do tio Orozimbo todos os dias ficava lá um pouco em busca de agrado e depois antes do final da tarde retornava para a fazenda da Mata. Era um percurso de cerca de dez quilômetros ida e volta. Isto já era natural, todos sabiam, só eu que demorei um pouco para descobrir sua façanha. Certo dia me...

Mistério na Mata

A Fazenda da Mata, ou Fazenda São João fora do meu bisavô Abílio. Vovô João comprou a pelos idos de 1953 e lá passei os mais doces anos da minha infância. Ah quantas estripulias, quantas aventuras lá vivenciei ! Nos primeiros dez anos a fazenda era muito freqüentada ainda pelos irmãos de Vovó, o tio Juarez, Tio Neném, Tio Mário, Tio Júlio, Tio Renato e a própria Vovó Dolores, Mãe Vó como a tratávamos. Os primos Nardinho, Diogo freqüentavam mais a casa. O casarão era estilo colonial, havia muitas dependências e por isso era possível receber muitos hóspedes. Gostava quando minha avó Anita recebia umas amigas do Rio; Era um pessoal da cidade e eu ficava espiando de longe aqueles hábitos diferentes dos que eu conhecia. Mas sentia mesmo a vontade quando nas férias reuníamos os primos lá Dalmilho, Jane, Raquel, Ariete, Denise, Antonio, entre outros. Mas estes citados eram os da minha época que mais compartilhávamos as aventuras e as brincadeiras. Minha irmã Bernadete era novinha e o Pascoal ...

Inocência na luz vermelha

Chegara as tão sonhadas férias. Eu tinha meus 15 anos, estava estudando no Seminário em Itajubá, Sul de Minas Gerais. Só visitava minha família nas férias. No meio do ano eram pouco mais de 15 dias então passava em São Paulo com meus pais e irmãos. Mas as férias de final de ano, as mais esperadas ia para São Paulo e depois de ficar alguns dias com meus pais, geralmente depois do Natal ia com minha mãe e meus irmãos para a cidade natal, Campo Belo. Revia os primos, os tios, e a maior parte do tempo queria passar na roça, na fazenda com meus avós. Como eram gostosos estes dias que lá passava. Finais de semana íamos todos para a cidade, não que eu gostasse, pois na fazenda era muito mais divertido, mesmo quando só eu estava lá. Andava a cavalo, nadava muito, escalava morros e sem falar na fartura de frutas que lá havia. Quando estava na cidade costumava passar algum tempo em companhia dos primos e principalmente do Nardinho, um primo em segundo grau, mas para mim todos eram primos. Ele er...

MORRO DA ÉGUA

Era uma daquelas tardes de verão em que as cigarras pareciam estar afinando o som para uma grande orquestra. O sol brilhava e algumas nuvens carregadas despontavam no horizonte, mas grande parte do céu mantinha-se azul. Papai disse a mamãe que precisava levar a massa de mandioca seca para vovó fazer a farinha lá na fazenda e que iria mandar-me levar a cavalo. Preparou dois sacos (50 kg), encheu-os da massa de mandioca já seca, amarrou os sacos e ajeitou-os na garupa da égua que estava já encilhada e pronta para me levar a fazenda da Mata. Se apressasse iria chegar lá antes do anoitecer, era uma boa caminhada, umas duas ou três léguas de distância (aproximadamente 15 km). Mas como ia carregado, a égua não era assim tão ligeira, precisava se apressar e papai logo despachou-me recomendando que eu fosse direto com medo que a chuva me pegasse no caminho. Eu tinha apenas oito anos de idade mas sabia me virar e conhecia bem o caminho para a fazenda do vovô. Após as recomendações de meus pais...

O CRUZEIRO

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Era uma criança humilde, encabulado, tímido, mas com sede de saber. Lembro-me quando tinha meus cinco anos morava com meus pais na roça, passava maior parte do tempo na fazenda de meus avós. Vovó embora não letrada era uma pessoa culta. Contava que no seu tempo foi alfabetizada e instruída em casa. Não freqüentou escola, mas teve professor particular em casa, pois ela era a única mulher da família e teve educação a domicílio. Enquanto cuidava dos afazeres da fazenda, com sua lida entre a cozinha, o monjolo e a administração geral sobrava tempo para orientar e incentivar-me na leitura e na audição de rádio. Dizia, - “. Adarto” é muito importante a gente saber ler, saber o que está acontecendo no mundo. Vai ouvir o Repórter Esso para saber o que está acontecendo. Pegue jornal e vê as figuras, leia o que você puder. Sempre trazia da cidade pacotes de jornais e deixava por lá. Sempre que me via desocupado, sem o que fazer mandava que arranjasse um canto na sala, geralmente deitado debaixo ...

INCIDENTE BATIZADO

E ra uma manhã ensolarada, a família toda reunida preparava-se para o batizado do meu primeiro irmãozinho. O padre arrumava-se para o a grande cerimônia, o batizado do sobrinho. Morávamos bem ao lado da igreja no pequeno vilarejo do Porto dos Mendes da década de cinqüenta. Naquele tempo corria garboso e ainda jovem o Rio Grande em direção a Serra de Boa Esperança. O mesmo rio que décadas antes servia de leito para os poderosos vapores que carregavam o progresso entre São Paulo, Minas e outros estados do Brasil. Mas voltando aquele domingo, todos já na igreja aguardavam o padre Antonio iniciar o esperado batizado do Pascoal e da Neuza, nossa prima. A família tinha mais de um motivo para tanta alegria, além das crianças queridas o celebrante era o padre Antonio, o querido tio Tonho. Estavam todos em volta da Pia Batismal, eu ainda uma criança de quatro anos buscava um espaço para acompanhar aquela, (acho minha primeira) cerimônia religiosa. . Não sabia se prestava mais atenção no meu irm...

Recordações da infância

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As noites frias e profundas me trazem recordações, sensações, impressões, de uma fragrância de infância de criança. Noite fria, céu estrelado, a lua bailando lá no céu de julho. No casarão se via a fumaça branca que subia pela chaminé, as janelas semi-fechadas deixavam ver a movimentação na cozinha em volta do fogão a lenha. Era férias de meio do ano, o sossego, a tranqüilidade e o silêncio já não era como os de todas as noites. Vovô e vovó que normalmente a esta hora já estariam dormindo permaneciam até mais tarde reunindo os netos em volta do fogão, assando queijo na chapa e a pedido dos netos contando causos. Vovó sempre preocupada conosco cuidava de preparar algumas quitandas para comermos. Sempre ouvia se ela dizer: menino, come alguma coisa, toma leite! Pegue uma *tigela e come com farinha!A noite avançava e o frio aumentava lá fora! O que fazia que nos mantivéssemos todos em frente o braseiro que consumia lá no fogão.Acostumados a deitarem cedo, com pouco meus avós se retiravam...

O pequeno polegar

O dia em que quase perdi o polegar Era uma criança que desde cedo fui acostumado a ajudar meus pais nos afazeres da casa. Havia hora para trabalhar, estudar e brincar. Nunca fui obrigado a fazer trabalhos pesados, mas sempre tive vontade de ter minhas pequena plantação, queria aprender a cultivar a terra e diante de meu pedido papai deixou uma pequena área para eu plantar. Ah como era gratificante depois de algum tempo ver germinar as sementes, crescer o feijão, o arroz, as ramas de batata, mandioca, as hortaliças. Papai plantava de tudo para o nosso sustento e sobrava até para vender. Havia um plantio de mandioca que dava para fazer farinha e polvilho. Para facilitar o beneficiamento ele construiu uma engenhoca para ralar a mandioca exigindo-se pouca força devido as rodas e engrenagens da máquina. Até uma criança como eu, de sete, oito anos conseguia mover a manivela do ralador manual. Certo dia, enquanto meus pais cuidavam de outros afazeres pedi para adiantar o serviço indo ralar m...

Morro da Onça.

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Esta era a visão que se tinha da janela da sala e do quarto onde eu dormia na Fazenda da Mata. Passei boa parte de minha infância observando esta paisagem. Com certeza os melhores dias da minha vida. Ao fundo imponente aparece o Morro da Onça, nome este devido ser muito comum a freqüência de onças pintadas e jaguatiricas por lá. Em minha infância cheguei a cruzar com algumas Jaguatiricas, mas onças pintadas só em estórias contadas pelo meu avô e pelos camaradas da fazenda. De vez e outra ouvia se dizer que alguma cabeça de gado havia sido atacada por uma onça pintada e o temor corria pela redondeza. Esta foto foi tirada na década de setenta, mas posso garantir que antes dos anos sessenta o cenário era muito mais belo. Onde se vê as plantações outrora era ainda mata virgem, os cafezais se estendiam mais a direita. A mata original era linda e embelezava a paisagem e favorecia a uma rica fauna. Mas atenho-me agora a falar mais precisamente do querido e saudoso Morro da Onça. Com freqüênc...

Lembranças da velha estrada de ferro - RMV.

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RUIM MAIS VAI Rede Mineira Viação (que levava inscrito em seus vagões a sigla R M V ) é o nome da antiga ferrovia mineira que cortava as alterosas levando pessoas, gado, café e minérios. Conhecida pela sua deficiência mas querida pela tradição era carinhosamente chamada de Ruim Mais Vai. Só pra se ter uma idéia, um trajeto que hoje se faz em pouco mais de três horas, levava-se 12 horas com a velha Maria Fumaça que tranqüilamente cortava campos, colinas e montanhas enquanto uma nuvem de fumaça singrava os céus. Até o final da década de cincoenta reinava a Maria Fumaça, no alvorescer dos anos sessenta chegaram imponentes as primeiras locomotivas a diesel. Era comum o embarque e desembarque de gado nos vagões apropriados, de madeira pintadas de vermelha. A Estação Ferroviária era o lugar mais movimentado, à noite passava o "noturno" que vinha de São Paulo e ia até o norte de Minas. O seu apito era quase um aviso para a cidade adormecer, depois que se ia a cidade acabava de se aq...

TRAVESSIA A CAVALO NA BALSA

Era final da década de 50, a vida no Morro Grande era demasiadamente pacata, passávamos dias sem ver a presença de uma pessoa estranha a família. Na divisa de nosso sítio havia uma estrada, mas dificilmente se via alguém passar por ela. Algumas vezes se via algum caminhante que ia a direção do Porto dos Mendes. A estrada, mais adiante, do outro lado do morro que ligava a Cidade e o Porto passava a velha Jardineira pela manhã indo para a cidade e a tardezinha ouvia se o ronco do motor cansado voltando. Um dia ou outro ouvia se o ronco do motor de algum caminhão ou a caminhonete “pick up William” de um fazendeiro lá da beira do rio que ia ou voltava da cidade. A noite sim se via, com mais freqüência, a luz ao longe, no pé da serra os carros que vinham da Rodovia Fernão Dias em direção a cidade de Boa Esperança. Do mais não se ouvia nem o barulho de avião cortando os céus. Mas a natureza era pródiga em pássaros e grande variedade de outros animais que quebravam a monotonia do lugar com se...

João Paulo II

Hoje, sinto a dor e a tristeza de todo o povo de Deus abalado com a partida de um dos maiores homens que sucedeu São Pedro ! Lá foi o Grande Líder Espiritual em mais uma de suas viagens ! Mais uma jornada, agora para junto ao Pai e continuar sua missão! Papa João Paulo II parte deixando seu rebanho terrestre Para continuar em outro plano, novos rebanhos pastorear e cumprir sua tarefa de pacificador, de Guia Espiritual , de mediador e de intercessor junto ao Nosso Pai Celestial. Nosso Mestre Espiritual nos legou uma grande lição a de que viajar é preciso ... para buscar as ovelhas que por algum motivo desgarraram-se do rebanho e trazê-las de volta para a casa paterna. Hoje podemos ver nos quatro cantos da Terra a gratidão e o reconhecimento ao nosso Guia ; cristãos de todas as igrejas rendem homenagem ao Santo Padre que soube guiar seu rebanho com amor ! João Paulo II humildemente pediu perdão aos que um dia em nome da Santa Igreja e da política inquiridora da época foram discriminados...

Meu Encontro com Mojica

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Era início da década de sessenta. Meus pais acabavam de retornar para São Paulo depois de quase 10 anos em Minas Gerais. Era um garoto da roça, conhecia sim o mundo do campo, os rios, as florestas, os pássaros, enfim a natureza! A vida simples e maravilhosa do campo. Filho de família religiosa, católica, logo minha mãe procurou colocar-me no colégio das freiras, o Externato Nossa Senhora do Sagrado Coração e logo incentivou-me a ingressar no grupo de coroinhas do Santuário do Sagrado Coração, em Vila Formosa, São Paulo. Meus dias passaram a ser no Externato e na Igreja sobrando pouco tempo para ficar em casa! Participava ativamente de todas as celebrações de domingo a domingo. Logo conquistei a confiança e a proteção da Madre Superiora e do Vigário além da atenção especial do Irmão Afonso que era o responsável pelos coroinhas. Atuava nas apresentações religiosa tendo representado o menino Jesus aos doze anos e outras crianças bíblicas. Certo dia ao chegar, como de costume, antes da mis...

A VELHA PRAÇA

Na mesma praça que hoje abriga a Velha e a Nova Matriz brincou a geração de meu pai e a minha. Durante a semana brincávamos afoitos na parte que ia da Velha Matriz a Caixa D'Água. Havia um parquinho público, com balanços, escorregadores, gangorras e gaiolas onde nos divertíamos muito. Brincava mais com meus primos, primas e alguns amiguinhos que encontrava quando estava na cidade. Mas por ora vou me ater a apenas alguns fatos marcantes que fixaram em minha memória. Quando nos preparávamos para ir para a cidade nos finais de semana minha vó falava: - menino, pega umas laranjas, peras, maçãs para você vender na cidade e ganhar algum dinheiro para você comprar picolés, e ir ao cinema... Seguindo a orientação de minha vó, preparava uma cesta com lindas frutas e colocava no Jipe. Chegando a cidade ia (meio sem jeito) de casa em casa oferecendo as frutas que eu apanhara. Normalmente eu as vendia logo e arrecadava algum dinheiro para meu final de semana. Certa vez após percorrer algumas c...

A velha Caixa D'água

Na cabeceira da Praça que hoje chama-se Praça Menoti D'Aura havia até final da década de 50 uma velha Caixa D'Água. Era uma torre de mais ou menos 8 ou 10 metros . O reservatório era sustentado por quatro pés de ferro e havia um emaranhado de canos de ferro que distribuía a água para acidade. O local era aberto, não havia a Praça, apenas uma faixa de terreno que abrigava a velha matriz que ficava abaixo, no meio, e depois sim já havia a outra Praça mais antiga. O local da Caixa D'Água era como que um pouco de encontro, pois era ali que as pessoas esperavam a jardineira*, o caminhão ou a carona para retornar a roça, ao campo. Gostava de ficar ali brincando, vendo os meninos com seus papagaios (pipas) coloridos, e observando o pequeno movimento das pessoas por ali. De um lado havia a velha casa da minha bisavó, a mãe-vó, bem em frente a casa do tio Leonardo e do outro lado na esquina da rua da Cava o velho armazém Souza. Olhando-se para baixo, deparava-se com o fundo da velha...

A Casa onde Nasci !

O nome da rua ... não me lembro mas da rua, da casa, da vista que eu tinha da janela do quarto, da varanda...ah ainda está muito nítida em minha memória! A casa ainda existe, aparentemente continua da mesma forma... A rua é uma rua de subida, fica na saída da cidade, do lado sul, antiga saída para Aguanil, Porto dos Mendes, Boa Esperança. Lembro-me dos caminhões que subiam a rua com seus motores cansados exalando aquela fumaça preta do diesel. Gostava de sentir aquele cheiro no ar, era algo diferente do campo... Além dos poucos caminhões que subiam a rua, durante o dia, passava além dos leiteiros em seus cavalos carregados de leite que era vendido de casa em casa... gostava do apito das carroças, da corneta anunciando a venda de picolés, ou de pães... Ah quanta saudade vem na lembrança daquela primeira casa que me acolheu! Lembro-me dos meus primeiros banhos que eram disputados pelas primas da minha mãe, (o nome delas não me recordo, apenas de como eram) e por minhas tias. Não era nenh...

Vivências Sutis

Meus pais moravam em São Paulo, mas minha mãe voltou para Campo Belo, MG, cidade natal, quando eu estava para nascer. Depois de certo tempo, passado toda aquela euforia do primeiro filho, do primeiro neto, o segundo sobrinho. Mamãe já estava mais acostumada com a nova situação de mãe, voltou para São Paulo, onde meu pai trabalhava. Voltávamos a casa dos avós sempre no fim de ano. Lembro-me que viajávamos por dois dias, pernoitávamos em Cruzeiro, SP para seguir viagem no dia seguinte. Era apenas um neném, mas lembro-me do local onde ficávamos, parece que era um hotel popular, pois o cheiro do banheiro era sensível. Durante a cansativa viagem de trem, a Maria Fumaça eu lembro perfeitamente das fagulhas que saiam da chaminé da locomotiva e entrava pela janela daquele vagão de madeira. Mas ficava bem curioso de observar tudo, paisagem, movimentação de pessoas... Lembro-me numa dessas viagens, parece que foi numa das voltas a São Paulo, encantei com uma menininha mais velha que eu que me ...

Hoje eu queria...

Hoje eu queria dizer... ... senti vontade de escrever... mesmo que ninguém venha a ler este "post" mas quero mesmo assim estrapolar um pouco do que guardo em meu peito: saudade...; de tudo aquilo que não foi... alegrias...; por estar vivo e com saúde... sonhos...; que ainda ouso sonhar ... tristezas...; dos momentos de desencontros ... espectativas...; daquilo que ainda está por acontecer ... conquistas...; de tudo que almejo e hei de conquistar ainda... ganhos...; os frutos que tenho por colher perdas...; consequência de nossos erros ... ou mero destino (?) ... revolta...; das injustiças sociais, ao nosso redor, no Planeta... resignação...; pelas coisas que não podem ser mudadas ... decepções...; dos desafetos, dos desamores, dos demandos políticos... esperança...; de um amanhã melhor que hoje ... "Tomorrow will be wonderfull"

A ESCRITA

Eis uma coisa que depende de coragem... de despreendimento... Pois escrever... é desnudar-se, despir-se, tirar a nossa casca... mostrar-nos como realmente somos. Ao escrever estamos colocando o nosso pensamento a disposição do mundo todo... pois escrever e engavetar os escritos é o mesmo que perder tempo, o mesmo de abortar um rebento. Escrever é ousar, ser diferente, expor-se ao mundo. A palavra uma vez proferida (mesmo que escrita) é como uma flecha que lançada, não sabemos onde vai parar. E para escrever, antes pensamos e ao pensarmos geramos ondas invisíveis que viajam para lugares jamais imaginados... Hoje com a Internet isso se torna mais fácil ainda. Já pensaram nisso!? Adauto Neves

Libertas quae sera tamem

A humanidade inventou mecanismos para dominar as mentes e desviar os seres humanos de seu trajeto original! No Princípio o homem era livre e senhor de si... Então começou a criar normas, regras, e impor verdades e continua até os dias de hoje... Cada vez mais restringindo a verdadeira liberdade dele próprio. Hoje, está reduzido a números, senhas e a uma série de convenções que obriga cada pessoa viver de acordo com os interesses da classe dominante! Os seres mais primitivos ainda são livres, não estão sujeitos a normas, a convenções... Vivem segundo seu instinto, seu desejo, livre e quando sentem a presença humana, fogem para não perder a liberdade original. Vejam só os animais e mesmo as tribos mais primitivas são ainda livres, vivem mais junto à natureza e mais felizes. Outrora, fez se dos mais fracos escravos para servir os mais poderosos. A escravidão acabou. Acabou? Não, apenas mudou se a forma de escravidão... Hoje a maioria dos seres humanos vive submissos a uma escravidão maior...

MEUS ESCRITOS

Escrever é um fascínio que me atrai desde a tenra infância... sempre rabisquei meus escritos, mas nem sempre os guardava, achava que não eram bons e os jogava fora.Desde meus doze anos tinha vontade de escrever, escrevia minhas narrativas sobre minha infância, sobre coisas e lugares que eu gostava.Lembro-me que guardei um rascunho por décadas de uma estória que estava escrevendo sobre um cachorro chamado Norte, um velho amigo da infância que morreu mordido por uma cobra venenosa. Acabei um dia desinteressando-me pela narrativa e jogando todo rascunho no lixo.Vasculhando minhas mais tenras lembranças, encontro velho sonho de um dia ser escritor, escrever livros que pudesse encantar as pessoas assim como os muitos que me fizeram viajar além do tempo, além de minha cidade.Durante toda minha carreira no magistério, sempre incentivei meus alunos ao mundo mágico da escrita, promovia a escrita, a leitura aos meus alunos, desde as crianças aos mais maduros.O meu sonho de escrever foi ficando a...

O PODER DA PALAVRA

Lembre-se: aquilo que se traduz em palavras vem na realidade a se manifestar. Conscientize-se que as palavras têm poder criador e as utilize sabiamente. A palavra tem força criadora, segundo o escritor intelectual Lourenço Prado que nos dá uma aula sobre o poder da palavra. Diz ele: Se conhecêsseis o poder de vossas palavras, teríeis grande cuidado nas vossas escritas e conversas. Bastar-vos-á observardes a reação de vossas palavras para verificardes que elas não voltam vazias . Por meio das palavras que escreveis ou pronunciais, estais estabelecendo continuamente leis para vós mesmos. As forças invisíveis agem sempre a favor daquele que está continua e corajosamente avançando para a frente, embora não o saiba. Em virtude das forças vibratórias das palavras, quando o indivíduo escreve ou fala alguma coisa, começa a atraí-la para si. Cada palavra que expressais, exerce uma ação na vossa vida pessoal, a qual será a vosso favor ou contra vós, conforme a idéia expressa pela palavra. Com ef...

Poeta

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“O poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente.” Fernando Pessoa